Espiritualidade
IV Domingo do Advento
fonte: Intimidade Dinina - Fr. Gabriel de Santa Maria Madalena OCD

“Ó Senhor e guia da casa de Israel... vinde salvar-nos com o poder do vosso braço” (Lecionário)

Apresenta hoje a Liturgia da Palavra, uma das mais importantes profecias messiânicas e sua realização. Desejava o rei Davi construir “uma casa”, um templo para o Senhor. O Senhor, porém, lhe manda dizer pelo Profeta Natã que é outra a sua vontade: será entes o próprio Deus quem pensará na “casa” de Davi, isto é, em prolongar sua descendência, porque desta deverá nascer o Salvador. “Tua casa e teu trono estarão firmes para sempre diante de mim” (2Sm 7,16). Muitas vezes, através das vicissitudes da história, pareceu que a raça de Davi iria extinguir-se, porém sempre a salvou Deus, até que dela teve origem “José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, chamado Cristo” (Mt 1,16). A este “o Senhor Deus dará o trono de Davi, seu Pai, e reinará... eternamente, e seu reino não terá fim” (Lc 1,32-33). Tudo o que havia Deus prometido realizou-se, apesar dos acontecimentos contrários da história, dos pecados dos homens, das culpas e da impiedade dos próprios sucessores de Davi. Deus é sempre fiel: “Concluí uma aliança com o meu eleito; jurei a Davi, meu servo... Assegurar-lhe-ei para sempre o meu favor, indissolúvel será meu pacto com ele” (Sl 89,4,29).

Paralelamente à fidelidade de Deus, apresenta a Liturgia do dia a fidelidade de Maria, em quem se realizaram as Escrituras. Estava tudo previsto no plano eterno de Deus e já tudo disposto para a Encarnação do Verbo no seio de uma Virgem descendente da casa de Davi. No momento, porém, em que tal plano deveria tornar-se história, “Quis o Pai das Misericórdias que a aceitação da predestinada mãe precedesse a Encarnação" (LG 56). Refere São Lucas o sublime diálogo entre o Anjo e Maria, concluindo-se tal diálogo com a humilde e incondicional aceitação de Maria: “Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a vossa palavra”. O “fiat”  de Deus criou do nada todas as coisas; o “fiat” de Maria deu a possibilidade à redenção de todas as criaturas. É Maria o templo da Nova Aliança, muito mais precioso que o templo que desejou Davi construir ao seu Senhor, templo vivo que encerra não a Arca santa, mas o Filho de Deus. É Maria a fidelíssima, totalmente aberta e disponível à vontade do Altíssimo. É justamente com a colaboração de sua fidelidade que se realiza o mistério da salvação universal em Cristo Jesus.

Entusiasma-se São Paulo ante tão grande mistério “guardado em segredo durante séculos, mas revelado agora e anunciado mediante as Escrituras proféticas, por ordem o Eterno Deus, a todas as nações” (Rm 16,25-26), não reservado portanto à salvação de Israel, mas destinado a salvação de todos os povos. E frisa ainda que o fim de tal revelação é que todos os homens "obedeçam à fé". Somente a fé torna a criatura capaz de acolher, na adoração, o Mistério de um Deus feito homem. E deve sua fé ser como a de Maria que aceitou o inaudito - tornar-se mãe, permanecendo virgem, mãe do Filho de Deus, ela, simples criatura - com "uma fé isenta de qualquer dúvida" (LG 63).

"A Deus, o único sábio" (Rm 16,27), seja dada glória pelo grande mistério da salvação, glória a Ele oferecida "por meio de Jesus Cristo". E à humilde Virgem de Nazaré, dócil instrumento do desígnio divino, sejam profundamente gratos todos os salvos em Cristo Jesus!

"Senhor Deus, ao anúncio do Anjo, a Virgem Imaculada acolheu vosso Verbo inefável e, como habitação da divindade, foi inundada pela luz do Espírito Santo. Concedei que, a seu exemplo, abracemos humildemente a Vossa Vontade". Missal Romano

 

 
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